Vale a pena terceirizar TI? Quando compensa e quando não

Vale a pena terceirizar TI quando a demanda é especializada, tem prazo ou oscila. Veja os modelos, o que diz a lei, os riscos e 7 perguntas para decidir.

83% dos líderes ouvidos já usam IA nos serviços que terceirizam (Deloitte, Global Outsourcing Survey 2024)

Modelos de time

Vale a pena terceirizar TI? Quando compensa e quando não

Por Heinz Pontes · Atualizado em · Leitura: 7 min

Terceirizar TI vale a pena quando a demanda é especializada, tem prazo ou varia muito ao longo do ano, e o conhecimento não precisa morar dentro da empresa. Quando a área é central para o produto e permanente, montar time próprio costuma compensar mais. A resposta muda conforme o que se terceiriza e quem gerencia o dia a dia.

Em resumo

  • Terceirizar compra velocidade e acesso a especialistas. O preço é depender de um parceiro e gerenciar um contrato.
  • A lei permite terceirizar qualquer atividade, inclusive a principal, e a contratante responde de forma subsidiária pelas obrigações trabalhistas do período.
  • Existem quatro modelos bem diferentes: projeto fechado, alocação de profissionais, equipe sob demanda e equipe gerenciada.
  • Sete perguntas, no fim do texto, ajudam a decidir antes de assinar.

Terceirizar TI costuma entrar em pauta em dois momentos: quando o time não dá conta e quando a vaga não fecha. Nos dois casos, a pergunta que resolve é mais específica do que “terceirizo ou não?”. O que vai para fora, por quanto tempo e quem decide no dia a dia?

Quando vale a pena terceirizar a operação de TI?

Terceirizar a operação de TI vale a pena quando ela tem começo e fim, pede uma competência que o time não tem ou oscila tanto que manter gente fixa para o pico sai caro. Os casos mais comuns:

  • Projeto com data: migração para nuvem, implantação de ERP, um produto novo que precisa ir ao ar.
  • Competência pontual: segurança, dados, SAP ou uma stack que o time usa uma vez por ano.
  • Pico de demanda: backlog crescendo mais rápido do que o time entrega.
  • Sustentação fora do horário: plantão e suporte que não justificam uma escala interna.
  • Vaga que não fecha: um profissional alocado cobre a entrega enquanto a contratação acontece.

O mercado mudou o motivo da decisão. No Global Outsourcing Survey 2024 da Deloitte, com mais de 500 líderes de negócio e tecnologia, talento qualificado e agilidade aparecem ao lado da redução de custo entre os principais motivos para terceirizar, e 83% já usam IA nos serviços terceirizados.

Quando é melhor manter a TI dentro de casa

Quando a tecnologia é o produto ou a vantagem competitiva, o conhecimento precisa ficar com a empresa. Engenharia do produto principal, arquitetura, decisões de segurança e dados estratégicos dependem de contexto acumulado, e contexto sai pela porta junto com o fornecedor.

Também vale manter dentro de casa o que é permanente e estável. Se a demanda vai existir pelos próximos anos no mesmo tamanho, um time próprio bem montado tende a sair mais barato e a aprender mais rápido.

Quais são os modelos de terceirização de TI

“Terceirizar TI” cobre modelos com riscos e custos muito diferentes. Comparar proposta de projeto fechado com alocação de profissionais é comparar coisas distintas.

ModeloComo funcionaQuem gerencia o dia a diaIndicado para
Projeto fechado (fábrica de software)Entrega definida, prazo e preço por projetoO fornecedorEscopo claro, que muda pouco
Alocação de profissionais (outsourcing)Profissionais do parceiro trabalham no seu timeSua empresaDemanda contínua sem abrir vaga
Equipe sob demandaTime montado para um desafio, que cresce ou sai conforme a necessidadeSua empresaProjetos com prazo e picos
Equipe gerenciadaO parceiro monta, opera e gerencia o timeO parceiroUma frente inteira ou operação contínua

Muitas vezes o problema não é a área inteira, e sim duas ou três pessoas que faltam. Nesse caso, contratar resolve mais rápido do que terceirizar, e a Shark ajuda a contratar profissionais de TI com avaliação técnica.

Os riscos de terceirizar TI e como reduzir cada um

RiscoComo reduzir
Dependência do fornecedor e perda de conhecimentoCódigo, acessos e documentação em nome da sua empresa; plano de transição escrito desde o início
Escopo mal definidoEntregas e critérios de aceite por escrito, com um dono interno para decidir
Qualidade abaixo do esperadoIndicadores combinados (prazo, defeitos, tempo de resposta) e revisão mensal
Segurança e dadosAcesso mínimo necessário e cláusulas de proteção de dados no contrato
Passivo trabalhistaExigir comprovantes de pagamento e recolhimentos do fornecedor ao longo do contrato

O que diz a lei sobre terceirização de TI

A lei permite terceirizar qualquer atividade, inclusive a principal. O art. 4º-A da Lei 6.019/1974, na redação dada pela Lei 13.467/2017, define a prestação de serviços a terceiros como “a transferência feita pela contratante da execução de quaisquer de suas atividades, inclusive sua atividade principal” a uma empresa com capacidade econômica para executá-la.

A responsabilidade não some. Pelo § 5º do art. 5º-A da mesma lei, a contratante é subsidiariamente responsável pelas obrigações trabalhistas do período em que o serviço foi prestado. Por isso vale acompanhar os recolhimentos do fornecedor e validar o contrato com o jurídico. Este texto não é orientação jurídica.

Checklist: 7 perguntas antes de terceirizar TI

  1. A demanda é pontual, sazonal ou contínua? Pontual e sazonal pedem terceirização; contínua e central pedem time próprio.
  2. O conhecimento precisa ficar dentro da empresa? Se sim, planeje a transferência desde o primeiro dia.
  3. Quem gerencia o dia a dia? Sua empresa, o fornecedor ou os dois? Isso define o modelo.
  4. Como a entrega vai ser medida? Sem indicadores combinados, qualquer avaliação vira opinião.
  5. O que acontece no fim do contrato? Código, acessos e documentação precisam voltar sem negociação.
  6. O fornecedor comprova as obrigações trabalhistas? Peça os comprovantes, não só a promessa.
  7. Quanto custa não fazer nada? Atraso de projeto, vaga aberta e retrabalho também entram na conta.

Como a Shark vê essa decisão

Muitas vezes, a pergunta “vale a pena terceirizar a TI?” esconde outra: “como coloco as pessoas certas para trabalhar rápido?”. Às vezes a resposta é contratar com hunting. Às vezes é alocar profissionais ou montar uma equipe de TI sob demanda. Quando a empresa quer tirar a gestão do time das costas, são as equipes de TI gerenciadas.

A Shark trabalha com esses formatos e começa entendendo o contexto: o projeto, o time e o objetivo de negócio. Veja as soluções da Shark e, se a dúvida for entre contratar e alocar, leia hunting ou outsourcing de profissionais de TI.

Perguntas frequentes sobre terceirizar TI

O que é TI terceirizada?

TI terceirizada é quando uma empresa contrata outra para executar parte ou toda a sua operação de tecnologia, como desenvolvimento, suporte, infraestrutura ou segurança. O parceiro pode entregar um projeto fechado, alocar profissionais no time do cliente, montar uma equipe sob demanda ou assumir a gestão de uma frente inteira. Cada modelo muda quem gerencia o dia a dia.

Quais são as vantagens da terceirização de TI?

As principais vantagens são velocidade para começar, acesso a especialistas que o time não tem e flexibilidade para aumentar ou reduzir a capacidade conforme a demanda. A terceirização também tira do time interno tarefas que não são centrais para o negócio. Esses ganhos aparecem quando há escopo claro, um dono interno e indicadores de entrega combinados.

Quais são os riscos de terceirizar TI?

Os riscos mais comuns são dependência do fornecedor, perda de conhecimento, escopo mal definido, qualidade abaixo do esperado, exposição de dados e passivo trabalhista, já que a contratante responde de forma subsidiária. Dá para reduzir cada um com código e acessos em nome da empresa, critérios de aceite por escrito, indicadores e acompanhamento dos recolhimentos do fornecedor.

Posso terceirizar a TI mesmo sendo a atividade principal da empresa?

Sim. Desde 2017, o art. 4º-A da Lei 6.019/1974 permite transferir a execução de quaisquer atividades da contratante, inclusive a principal, a uma empresa prestadora de serviços com capacidade econômica compatível. A contratante continua subsidiariamente responsável pelas obrigações trabalhistas do período. Vale validar o contrato com o jurídico antes de assinar.

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